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Circulando em off

Furar fila, corrupção endêmica

gazetaadm

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Foto: Divulgação

“Todo político é ladrão”. A frase é recorrente, diante dos noticiários que vez ou outra, mostram as vísceras de um sistema combalido em quase todos os sentidos. Lógico que causa indignação quando vemos os montantes financeiros desviados com a participação de alguns políticos, em detrimento de ações que poderiam ser direcionados à população.

Mas a corrupção estaria entranhada apenas no ambiente político-partidário? Claro que não. São múltiplas as formas de nos depararmos com a corrupção. Porém, se a classe política comete essa prática, é um alvo de legítima revolta popular, já os deslizes cometidos por outros segmentos, mesmo em baixa escala, não chegam a indignar tanto.

O psicólogo e psicanalista Luiz Hanns, do alto da sua sabedoria e vivência, traçou o diagnóstico que pode ser considerado a espinha dorsal desse contexto que merece contextualizá-lo, sem trocadilhos.

Ele concorda inclusive que há dificuldades do próprio sistema derrotar a corrupção, mas frisa que há pelo menos como manter os corruptos acuados. Mesmo assim, ressalta que o modo como se encara isso no Brasil não favorece a esse processo. Eis a questão!

“Nós estamos olhando muito para uma coisa, que é a primeira camada da cebola, que é a corrupção sistêmica, na qual só falamos nisso. Corrupção sistêmica significa que você tem uma porção de pessoas, de mau caráter, ou pessoas de caráter fraco, e há um sistema todo que favorece e até exige a corrupção para o Caixa 2, nas campanhas políticas, o achaque, empresários gananciosos e o antídoto para isso seria um maior controle e acabar com a impunidade aumentando com isso o custo do crime, o custo da corrupção”, diz.

Entretanto, lembra que nós estamos esquecendo outras camadas da cebola. Além da corrupção sistêmica, nós temos no Brasil , a camada da corrupção endêmica, algo esparramado, capilarizado por todos os confins da sociedade. Ressalta, portanto, que as pesquisas têm mostrado que o brasileiro se indigna com a corrupção pública, mas ele não se indigna com a corrupção em pequena escala na vida privada. Por exemplo, se um professor se engana e coloca um ponto a mais numa nota, o aluno dificilmente vai lá e diz professor baixe sua nota. Ou num restaurante quando se esquece de incluir um prato, poucos procuram corrigir o prejuízo para a casa na hora da conta. Corromper o guarda e evitar uma multa, comprar artigos pirata para sair ganhando, enfim.

Aí é também onde entra o tão presente chamado “fura-fila”. Espelhamos a situação dos fura-filas da vacina contra o corona vírus, mas cabem nesse rol outros tipos de fura-filas que estão igualmente praticando a corrupção endêmica.

O psicólogo explica que a corrupção endêmica é séria porque ela conversa com a sistêmica, uma desliza para outra. “Na verdade se você só combater a sistêmica e não combater a endêmica ela vai reinfectando tempo todo o sistema. Segundo ele, para combater é preciso uma mobilização que impregne na sociedade, tal como se faz hoje em relação ao racismo por exemplo. Contra o preconceito, à orientação sexual, a homofobia e muitas outras coisas. Esses assuntos que mobilizam a sociedade. O assunto começa a ser abordado por todos os lados, nas novelas, na escola, no rádio. São causas que vão conquistando corações e mentes. “Temos que fazer a mesma coisa com essa pequena corrupção do cotidiano e nós não temos feito”, cobra.

Ainda assim, teríamos que combater também a terceira camada existente. Outra fonte, outra natureza de corrupção, que é a corrupção sindrômica , uma síndrome: o espírito de burocratismo que reina no país, na esfera privada e publica.

No Brasil temos leis nessa seara difíceis de serem cumpridas, leis tributárias, por exemplo. Leis que impõe a destruição de modelos de negócios. Os negócios no Brasil, se forem cumpridas as leis, são inviáveis. E nesse contexto a corrupção nasce para o sistema respirar. A má gestão, por exemplo, licitações que esmagam os preços dos fornecedores. Para ganhar a licitação o sujeito aceita depois tem que fazer um aditivo mostrado que vai quebrar. E o sistema público não tem controle disso e acaba se reinfectando . Nesse caso é parar a visão só moralista.

Pensamento lúcido com diagnóstico perfeito, quando mostra, também, que cada um tem que fazer sua parte, caso queira “de vera”, minimizar a corrupção. Em outro caso é deixar seguir a carruagem sem hipocrisia.

A PROPÓSITO
Falar nisso, tudo leva a crer que teremos muito debate sobre a reforma administrativa que está por vir, oportunidade em que se possam vasculhar esses papéis velhos de um sistema tributário que com o propósito de ser moralizador, acaba detonando cada vez mais a classe produtiva e, por via de conseqüência, a população.

TOM FORTE
A governadora Fátima Bezerra bateu forte na consciência daqueles que estão ignorando os perigos do corona vírus e concorrendo para aglomerar. Em Pipa, no calor do carnaval, muita gente nas ruas e bares. Reflexos negativos à vista. É osso.

BLOCO
Falar em carnaval, muito presente nesses tempos a lembrança daquele bloco “ o negócio está feito e o seu nome está no meio”.

TEJE SOLTO
O deputado e ex-policial truculento Daniel Silveira(PSL), preso por decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes com o respaldo de toda a Corte, deverá ter prisão relaxada pela Câmara dos Deputados. Alguns partidos representaram junto ao Conselho de Ética da Casa pedindo sua cassação por quebra de decoro parlamentar. Mas não vai dar em nada. Uma puniçãozinha.

APOLOGIA
Fez apologia ao AI-5, desceu a ripa sem pena nos ministros do STF, é investigado por vários crimes que atentam contra a democracia e o estado de direito, e segue todo marrento. Lembrar o folclórico Manoel Ladeira se coçando: “ Há um homem!…” .

A QUEM INTERESSAR POSSA
Rapadura é doce, mas não e mole não.

CONCURSO IBGE
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anuncia que reabriu o aguardado concurso para 204.307 vagas temporárias para a realização do Censo Demográfico 2021, com salários de até R$ 2.100. Os editais foram publicados nesta quinta-feira (18) no Diário Oficial da União. Se ligue!

PRESIDENTE
O nosso Heronildes Silva, que saiu do movimento estudantil e foi candidato a prefeito de Mossoró, seguiu para Natal e foi candidato a governador do RN, quer fechar o firo agora como candidato à presidência da República. Está fundando o partido a Ordem, e quer chegar em 2022 apto à disputar o cargo maior. Alguém duvida?

ALIANÇA
Se brincar, a Ordem sai primeiro do que o partido Aliança, patrocinado pelo presidente Bolsonaro. Esse Heró é insistente.

FECAM NA PAUTA
Antes caminhando para a formação de uma chapa consensual, o processo sucessório na Federação das Câmaras Municipais do RN, deverá ter disputa. Pelo menos, as articulações nos bastidores fervilham.
GASOLNA
Veja meu bem! gasolina vai subir de preço. De novo.

GARANTIA SAFRA EM APODI
A Prefeitura Municipal de Apodi confirma o início da entrega dos boletos aos agricultores que aderiram ao programa Garantia Safra 2020/2021. Para realizar o pagamento, a prefeitura entra com a contrapartida de mais de R$ 40 mil, e os beneficiando ficam em cerca de 800 agricultores. A Prefeitura também informa que o prazo de retirada do boleto será a partir desta data até o dia 02 de março de 2021, no horário das 7:30 às 11:30h, na sede da Secretaria de Agricultura. Beleza!

NO PÁRA-CHOQUE
Feliz foi adão, que não teve sogra nem caminhão.

REVISTA
Lançada na tarde de sexta-feira (12), em na sede do Grupo Hospedar, em Natal, a Revista Turismo 4.0, o mais novo veículo de comunicação do Rio Grande do Norte. A edição de primeira linha tendo no comando o jornalista Roberto Costa Lima, traz na primeira capa, a cantora potiguar Marina Elali, que embora resida nos Estados Unidos, é o símbolo divulgadora das belezas potiguares no Brasil e no mundo, e âncora do marketing do Grupo Hospedar, responsável por uma competente e aceita política do inovador projeto de “Multipropriedade” na área hoteleira no RN e no Brasil. Marina Elali contracena com o morro do Careca.

INFIDELIDADE
São múltiplas as interpretações sobre infidelidade partidária. Mas a cerne é de que o partido é, na realidade, o dono do mandato. As dúvidas persistem e em alguns municípios pode resultar em processos judiciais. Muita confusão nas acomodações.

RELAX – “A tristeza que a gente tem/Qualquer dia vai se acabar/Todos vão sorrir/Voltou a esperança/É o povo que dança/Contente da vida, feliz a cantar…” CARLOS LYRA E VINICIUS DE MORAES

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