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Cotidiano

Chuvas e correnteza começam a mudar cenário no rio Mossoró

Barragem que corta o rio no centro da cidade já transborda devido as últimas chuvas caídas na região.

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Foto: Wilson Moreno

Por Gilberto de Sousa

A barragem que corta o rio Mossoró/Apodi no centro da cidade começou a transbordar ontem(23) em conseqüência do aumento do volume das águas que correm desde a cabeceira do rio em curso por várias cidades do Oeste. A elevação das águas começa a mudar o cenário, e assim com em anos anteriores de inverno rigoroso, a parenização do rio contribui para minorar os índices de poluição das águas.

De acordo com monitoramento da Empresa de Pesquisa Agropecuária, chove bem em todas as regiões Oeste, Médio e Alto Oeste do Rio Grande do Norte, desde a serra de Luís Gomes, onde nasce o rio Mossoró/Apodi, que tem 210 km de extensão até deságua no Oceano Atlântico.

O aumento do volume de água nos reservatórios, por sua vez, tem levado alegria ao homem do campo, alimentando a previsão do bom inverno. Em alguns municípios, os açudes já proporcionam a pesca, enquanto os campos protagonizam o crescimento de plantações e nutrem os animais.

O Instituto de Gestão das Águas do RN (Igarn), que monitora os 47 reservatórios, com capacidade superior a 5 milhões de metros cúbicos, responsáveis pelo abastecimento das cidades potiguares, registra que últimas chuvas que ocorreram por todo o Rio Grande do Norte ajudaram a elevar as reservas hídricas potiguares. O Relatório do Volume dos Principais Reservatórios Estaduais, divulgado na quarta-feira (22) apontou que o açude Passagem, localizado em Rodolfo Fernandes, sangrou após mais de 9 anos.

Além do açude Passagem, o reservatório Encanto, localizado no município de Encanto; Riacho da Cruz II, em Riacho da Cruz e Dourado, em Currais Novos, que já haviam sangrado durante o mês de março, voltaram a sangrar. As barragens, Pataxó, localizada em Ipanguaçu; Beldroega, em Paraú e Apanha Peixe, em Caraúbas, continuam a verter suas águas.

A barragem Armando Ribeiro Gonçalves, maior reservatório estadual, com capacidade para 2,37 bilhões de metros cúbicos, acumula atualmente 838.686.868 m³, que correspondem a 35,34% do seu volume máximo e já supera o percentual que o manancial represava no final da quadra chuvosa de 2019, que era de 34,69% da sua capacidade.

Segundo maior manancial do Estado, a barragem Santa Cruz do Apodi, com capacidade para 599.712.000 m³, acumula atualmente 184.311.120 m³, que correspondem a 30,73% do seu volume máximo. A última vez que o reservatório atingiu esse acúmulo de água foi em janeiro de 2016.

Já o reservatório Umari, localizado em Upanema, com capacidade para 292.813.650 m³, acumula atualmente 147.854.328 m³, correspondentes a 50,49% do volume máximo do manancial. A barragem não atingia esse volume desde dezembro de 2013.

O açude Santo Antônio de Caraúbas, com capacidade para 8.538.109 m³ e que já sangrou nesta quadra chuvosa, continua com um aporte de 8.409.618 m³, correspondentes a 98,5% do seu volume máximo.

O açude Boqueirão de Parelhas, com capacidade para 84.792.119 m³, também recebeu aporte hídrico e acumula 25.701.823 m³, percentualmente 30,31% do seu volume máximo. Também localizado no município, o manancial Caldeirão de Parelhas, com capacidade para 9.320.657 m³, na última semana represava apenas 17% da sua capacidade total e atualmente acumula 2.467.678 m³, que percentualmente representam 26,48% do seu volume máximo.

O açude Zangarelhas, localizado em Jardim do Seridó, que estava com apenas 0,95% da sua capacidade no dia 13 de abril, agora está acumulando 1.026.150 m³, percentualmente 12,96% do seu volume máximo que é de 7.916.000 m³.

O açude Itans, localizado em Caicó, também recebeu bom aporte após as últimas chuvas na região. Com capacidade para 75.839.349 m³, o manancial acumula 6.946.672 m³, percentualmente 9,16% do seu volume máximo. No último relatório divulgado pelo Igarn em 13 de março o reservatório estava com 2.899.902 m³, que representavam apenas 3,82% da sua capacidade.

O reservatório Marechal Dutra, também conhecido como Gargalheiras, localizado em Acari, atualmente acumula 11.991.171 m³, percentualmente 26,99% da sua capacidade total que é de 44.421.480 m³.

A barragem Pau dos Ferros, com capacidade para 54.846.000 m³, acumula atualmente 13.630.154 m³, correspondentes a 24,85% do seu volume máximo.

As reservas hídricas superficiais totais do Estado já acumulam 1.525.226.598 m³, percentualmente, 34,85% da capacidade total do RN, que é de 4.376.444.842 m³. Este já é o maior volume hídrico estadual dos últimos 5 anos.

Dos 47 reservatórios monitorados pelo Igarn, atualmente 3 são considerados em nível de alerta, com volumes inferiores a 10% da sua capacidade, o que representa um percentual de 6,38% dos mananciais. Os secos são 2, percentualmente, 4,25% dos açudes monitorados.

Os mananciais que permanecem em nível de alerta são: Passagem das Traíras, em São José do Seridó, com 3,48% (porém o reservatório passa por obras não sendo possível grande acumulo); o açude Itans, em Caicó, que está com 9,16% e açude Esguicho, em Ouro Branco, com 1,12%.

Os reservatórios que permanecem secos são: o açude Inharé, localizado em Santa Cruz e o açude Trairi, em Tangará.

Previsão é de chuvas dentro da normalidade até o mês de julho

A previsão no Rio Grande do Norte para o próximo trimestre é de chuvas dentro da normalidade. São esperados para os meses de maio, junho e julho de 2020 volumes de chuva de 559.7 milímetros(mm) para o Leste, 226,4 mm para o Agreste, 175,2 mm para o Oeste e 133,1 mm para a Central.

A Secretaria de Comunicação do governo estadual informou que a análise foi feita durante a II Reunião de Análise e Previsão Climática para o Setor Leste do Nordeste de 2020, realizada nesta quinta-feira (23) pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos – SEMARH/AL. O Chefe da Unidade de Meteorologia da Empresa de Pesquisa Agropecuária- EMPARN, Gilmar Bristot, participou por vídeoconferência.

Conforme as análises dos meteorologistas- a partir de resultados dos modelos disponibilizados por diversos institutos como Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE/CPTEC), Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e Fundação Cearense de Meteorologia (FUNCEME)-a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) deverá se afastar do RN no mês de maio, porém com o aquecimento das águas do Oceano Atlântico próximo ao litoral poderão ocorrer chuvas mais intensas nesta região.

“As águas superficiais do Oceano Atlântico próximo do Litoral Leste do RN estão mais quentes do que o normal, com 29°C, em torno de 1,5ºC acima do normal e com isso existe a possibilidade também de ocorrência de chuvas intensas durante os próximos 3 meses”, comentou Bristot.

Outro ponto levantado na reunião é sobre a tendência de resfriamento no Oceano Pacífico Equatorial. “Esse refriamento mostra uma condição de neutralidade para os próximos meses e com tendência de formação do Fenômeno La Niña a partir do mês de agoste de 2020”, explicou.

Participaram também da reunião, especialistas dos órgãos dos Estados do Ceará (Fundação Cearense de Meteorologia – FUNCEME), Paraíba (Agência Executiva de Gestão de Águas – AESA), Sergipe (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade SEDURBS), Bahia (Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos – INEMA), como também o Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos/Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – CPTEC/INPE e o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET).

Fotos: Wilson Moreno

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