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A rainha da sucata e outras estrepolias

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Embora conte com uma megaestrutura de comunicação, a Rede Globo de Televisão tem feito um péssimo jornalismo nas últimas duas décadas, porquanto sempre focada nos projetos de poder da elite conservadora paulista. Afinal, a Globo da família Marinho se entronizou como a sucessora de dois dos maiores baronatos da imprensa brasileira: o poderosíssimo Condomínio Associados (Rede Tupi de Televisão ) e o Grupo Bloch (Rede Manchete de Televisão). E se transformou, sob os auspícios da Ditadura Militar (1964-1985), numa das maiores “networks” do mundo. Estruturada em núcleos, a Globo tem crescido com o sucesso das transmissões esportivas (geralmente faz coberturas de grandes eventos esportivos com exclusividade, a exemplo das Copas do Mundo da Fifa, das Olimpíadas e dos torneios nacionais de futebol do Brasil), onde tem ganho oceanos de dinheiro.

O dinheiro, todavia, pouco significa no sucesso da Globo em face daquilo que, certamente, é sua grande ‘contribuição’ para a indústria do entretenimento: a produção de novelas televisivas – o chamado “folhetim” – cujos enredos são compostos de marcadores facilmente assimiláveis pelas massas de telespectadores de cada horário a partir das 18:00 horas; em média, o Núcleo de Novelas da Globo produz três folhetins destinados a três faixas a partir deste horário: o de público bem jovem (novela das seis), o adulto (novela das sete) e os mais adultos (novela das oito). Embora comporte algumas exceções, positivas e negativas, o horário nobre das novelas globais tem sido aquele que sucedem o Jornal Nacional, sempre apresentado após as 20:00h., esse que é o principal noticioso da Rede Globo.

A longa trama das novelas das oito sempre tem atraído grande número de telespectadores das faixas etárias acima dos quarenta anos. Foi nesse contexto que veio a lume a novela dramático-humorística da Globo conhecida como Rainha da Sucata, escrita e produzida por Sílvio de Abreu, tendo a atriz Regina Duarte na condição de personagem principal. Essa primeira novela “das 8” de Abreu, pode ser resumida na singela trama que retrata o universo dos novos-ricos e da decadente elite paulistana contrapondo duas personagens femininas, de um lado a emergente Maria do Carmo Pereira, interpretada por Regina Duarte, herdeira do negócio do pai, Onofre (o indefectível canastrão Lima Duarte), que se torna bem-sucedida empresária que, todavia, mantém hábitos humildes de sua condição social anterior. Do outro lado, pontifica a sofisticada Laurinha Albuquerque Figueroa (Glória Menezes), uma falida “socialite” paulistana. A partir daí, é pontilhado um enredo folhetinesco de amores e desamores em conflitos, tendo como “locus” o popular Bairro de Santana, zona norte de São Paulo.

Estranho é que, depois de vestir a pele de Maria do Carmo Pereira, Regina Duarte transmudou-se na viúva Porcina da novela “Roque Santeiro”, aquela que “foi sem nunca ter sido”, para incorporar definitivamente o carma da “rainha da sucata”, sobretudo, a partir de desastradas intervenções político-ideológicas como aquela patética declaração, em 2002, de que tinha medo da eleição de Lula, assim resumida pelo jornalista Gilberto Dimenstain, da Folha de São Paulo: “A atriz Regina Duarte foi a principal estrela das eleições na semana passada porque disse, no horário eleitoral gratuito, estar temerosa de que Lula esfarele as conquistas do Plano Real e de que não tire do papel nenhuma promessa social. Virou alvo da pancadaria de muitos artistas, que a acusaram de terrorista e até de venal.” Bota sucata nisso.

Diante da estonteante ‘performance’ do medíocre dramaturgo Roberto Alvim, secretário especial de cultura do governo Bolsonaro, em vídeo de inequívoco conteúdo nazista, ademais de plagiar o famigerado Joseph Goebbels, ministro da propaganda de Adolf Hitler, o poderoso “lobby” judeu impôs sua demissão. Para substitui-lo, Bolsonaro sacou do bolso do colete o nome da “ex- namoradinha do Brasil”, a decadente atriz Regina Duarte. Todavia, jogou alto quando deixou a poderosa Globo sem maiores opções. É o que “será visto”, decerto, nas cenas do próximo capítulo.

Depois de idas e vindas, ela aceitou a missão; quis ver os seus domínios brasilienses e indicou que Bolsonaro fizesse o caminho oposto: transformasse a reles Secretaria de Cultura em ministério. É melacólico que após uma brilhante carreira de atriz, cujo ápice foi a sua interpretação na série de televisão “Malu Mulher” (1979-1980), a estrela cai vertiginosamente no arraial mambembe do governo Bolsonaro, para se transformar em típica marafona – nos dois sentidos que lhe dá o Aurélio-pai-dos-burros – no que certamente envergonhará, como já envergonhado tem, uma plêiade de magníficos artistas deste país. Em suma, a Rainha da Sucata tentará dizer a que veio, como czarina da cultura. Dirá pouco ou quase nada nesse festival de besteiras que assola o Brasil. A conferir.

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